89 prefeitos e ex-prefeitos na mira da PF e do Gaeco sob suspeita de desvios milionários de emendas parlamentares no Paraná

 89 prefeitos e ex-prefeitos na mira da PF e do Gaeco sob suspeita de desvios milionários de emendas parlamentares no Paraná

O cenário político do Paraná foi sacudido nesta semana por uma das investigações mais extensas já registradas no estado. Ao menos 89 prefeitos e ex-prefeitos entraram no radar das autoridades em um inquérito que apura o desvio de emendas parlamentares. As suspeitas apontam para uma rede de corrupção que drenaria até 25% dos valores destinados aos municípios, retornando os recursos aos próprios parlamentares ou intermediários.

​O “Modus Operandi”: Rachadinha e Shows Artísticos

​De acordo com fontes ligadas aos órgãos de controle, o esquema operava em duas frentes principais. A primeira, semelhante à “rachadinha” de gabinetes, consistia na negociação direta de repasses: o parlamentar destinaria a emenda para a prefeitura sob a condição de receber uma parcela do valor de volta.

​A segunda frente, que tem ganhado destaque nas apurações da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR), envolve a contratação de shows artísticos e eventos culturais. Embora a prática de usar emendas para festividades municipais seja legal, investigadores apontam que os valores dos cachês e estruturas eram inflados para gerar excedentes que abasteceriam o esquema. Promotores de eventos e artistas também estão sob investigação para determinar o grau de envolvimento ou se foram utilizados como “ponte” para a lavagem do dinheiro.

​Fragilidade na Fiscalização

​O aumento expressivo no volume de recursos disponíveis para deputados e senadores nos últimos anos, aliado a mecanismos de transferência direta (como as chamadas “emendas Pix”), teria criado um ambiente propício para a falta de transparência. Recentemente, auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU) e decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) reforçaram a necessidade de maior rastreabilidade desses montantes, exigindo que cada centavo enviado tenha um plano de trabalho detalhado — o que, segundo o Gaeco, não ocorria em muitos dos municípios citados.

​Próximos Passos

​Até o momento, o processo corre sob sigilo para preservar a coleta de provas. No entanto, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR) já trabalha em conjunto com o Ministério Público para auditar os contratos de eventos realizados entre 2023 e 2024.

​Se comprovadas as irregularidades, os envolvidos poderão responder por crimes como:

  • ​Peculato;
  • ​Corrupção ativa e passiva;
  • ​Lavagem de dinheiro;
  • ​Organização criminosa.

​A defesa dos parlamentares e prefeitos citados (que ainda não tiveram nomes formalmente divulgados devido ao sigilo) ainda não se pronunciou. O espaço segue aberto para futuras manifestações conforme o avanço das denúncias.

Take – O Expresso BR

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